Uma das melhores coisas que a maternidade me trouxe foi a sensação de pertencimento. Não sou alemã, mas virei mãe de uma alemã-brasileira que me abriu as portas do vilarejo e criou oportunidades que eu não tinha.
Por causa dela conheci gente, conversei com outras mães sobre dificuldades e pequenas vitórias, me envolvi como voluntária na escola e passei a olhar com mais calma até o que antes me irritava.
Um exemplo: a tal regra não escrita de que você precisa levar algo feito por você quando é convidada para algum evento. Já apareci com bolo comprado e ele nem foi cortado. Voltei várias vezes pra casa com o bolo intacto — e comi feliz, claro. #semdieta
Mas, para a minha filha não passar vergonha pela mãe “que não sabe fazer nada”, treinei algumas receitas que hoje faço quando ela chama amiguinhas e também para levar em encontros. O “nega maluca” (que aqui chamam de brownie) virou hit entre as crianças, e sempre tem mãe pedindo a receita.
Este ano fui chamada para uma “festa do calendário do advento”. A regra, dessa vez explícita: cada convidada deveria preparar 24 presentes iguais e criativos. Na entrada, sorteávamos um número (o meu foi 24), colávamos nos pacotes e colocávamos tudo numa mesa gigante. Depois era só pegar os presentes de 1 a 24 e montar o calendário.
Só mães e crianças. Elas correram e brincaram; nós conversamos em paz. O restaurante estava fechado para o inverno, então o espaço era só nosso. Levei meu “brownie”, outra mãe levou bolachinhas… Nada de álcool, porque todas iam dirigir. Sucos, água com e sem gás. Coca-cola? Jamais. #ironia
Os pacotes estavam lindos, tudo feito com muito capricho. Adorei. Fiz um pôster com palavras em português, bordei um coração em ponto cruz e juntei uma agendinha e uma vela aromática.
Já dei uma espiada nos pacotes mais transparentes: tem chocolate, sal de ervas, mais velas… Estamos LOUCAS para abrir tudo. Mas vamos tentar respeitar o calendário direitinho. (Eu acho.)
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